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Prefácio

As técnicas de reprodução assistida inicialmente surgiram para transformar em realidade o sonho de muitos casais inférteis – o desejo de gerar um filho.
Com as mudanças culturais e sócias, novas relações conjugais têm-se estabelecido, trazendo diferentes conceitos de formação de família.
Hoje, os limites entre o tecnicamente possível e o que a sociedade está realmente buscando são questões inerentes a cada nova etapa de desenvolvimento do processotecnológico.
Discutir temas como sexualidade e reprodução. Doação de óvulo e gestação substitutiva é mais do que pertinente. É uma necessidade.
Com este livro, todos nós ganhamos, em conhecimento e questionamentos, revisando conceitos e entendendo melhor o processo da reprodução humana.

Eduardo Pandolfi Passos
Professor Livre-Docente em Ginecologia pela UNIFESP
Professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da UFRGS
Diretor da Clínica SEGIR, RS
Presidente da SBRA

PREFÁCIO

Vivências em Tempo de Reprodução Assistida

As técnicas de reprodução assistida inicialmente surgiram para transformar em realidade o sonho de muitos casais inférteis – o desejo de gerar um filho.

Com as mudanças culturais e sócias, novas relações conjugais têm-se estabelecido, trazendo diferentes conceitos de formação de família.

Hoje, os limites entre o tecnicamente possível e o que a sociedade está realmente buscando são questões inerentes a cada nova etapa de desenvolvimento do processotecnológico. Discutir temas como sexualidade e reprodução. Doação de óvulo e gestação substitutiva é mais do que pertinente. É uma necessidade. Com este livro, todos nós ganhamos, em conhecimento e questionamentos, revisando conceitos e entendendo melhor o processo da reprodução humana.
Eduardo Pandolfi Passos
Professor Livre-Docente em Ginecologia pela UNIFESP
Professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da UFRGS
Diretor da Clínica SEGIR, RS
Presidente da SBRA


APRESENTAÇÃO

A publicação desta coletânea de artigos reúne a contribuição de profissionais de diferentes áreas em sua formação, mas que tem em comum uma “assistência” à Reprodução Humana.Contribuição que vem acolher e abrir espaços para um debate que, diante do confronto de vários discursos, permite uma reflexão pluralista. É exatamente o limite, presente na prática profissional e evidente nos debates entre diferentes, que autoriza a palavra do sujeito, seja ele paciente ou profissional, em um lugar outro que pode trazer, então, outro saber, o não-dito.

Contemplando o que se diz e “o impossível de dizer” que podemos ser tocados através das entrelinhas dos debates, médicos especializados em Reprodução, cientistas sócias, biólogos, advogados, psicólogos e psicanalistas já são testemunhas de riquezas de “encontro” de idéias no X Congresso da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA. Por meio dos trabalhos aqui publicados, buscamos continuar com o intercâmbio de idéias e conceitos a respeito desta importante área que “assiste” o ser humano em seu “nascimento”, e que pretendemos que seja “assistido”, também, além do nascimento biológico.

Os autores trazem reflexões sobre as descobertas e avanços, assim como as interrogações sobre a inserção das mais avançadas tecnologias que testemunhamos no mundo atual. E o debate iniciado no X Congresso da SBRA traz, de forma evidente, a preocupação com os efeitos destes avanços no campo da subjetividade humana.

A “assistência” ao nascimento do ser humano é, “submetida” aos valores e conhecimentos de cada época. Temos acesso a um número significativo de abras na literatura que se consagram a este tema, mas temos de reconhecer que, no que se refere à interlocução entre diferentes saberes e à preocupação com os efeitos subjetivos dos avanços tecnológicos e científicos, no homem contemporâneo, o mesmo continua pouca explorado.E estamos falando sobre o contexto atual, no qual os avanços e as razões do mercado achatam a esfera subjetiva.

No início do século passado, por causa da possibilidade de erradicação da mortalidade materna e infantis no parto, uma relação especial entre a medicina e a procriação de estabeleceu. E, nesse processo surgiu a contracepção médica, para possibilitar o controle de excesso de nascimento, contracepção que já existia e foi proscrita por século de cristianismo. O avanço cientifico na medida que conhecia cada vez mais o funcionamento do corpo da mulher, pôde oferecer, então, este procedimento, que teve como conseqüência á disjunção entre o ato sexual e proscrição . A partir do momento em que se podia fazer amor se ter filhos, pensou-se que filhos indesejados podiam ser evitados com a segurança também da tecnologia e ciência.

Interessante porque a objetividade e a precisão da ciência é que permite revelar a “outra cena” na qual a decisão de ter/não ter filhos é de outra ordem, pois “a pílula e sua eficácia” não eliminou o número de abortos e de gravidez indesejada. A ciência evidencia também com clareza “os restos” dos procedimentos que escapam a sua lógica.

As formas artificiais da proscrição estão reconhecidamente destacadas no campo do avanço do conhecimento humano em sua importância. Elas anunciam a criação da vida e estão “implantadas” na racionalidade cientifica. Não podemos deixar de pensar nas conseqüências éticas em que todos nós estamos implicados a partir do momento em que o discurso da ciência passou a monitorar os procedimentos de reprodução da vida.

Assim com muito orgulho, oferecemos este livro ao debate e à discussão.
Maria do Carmo Borges de Souza
Marisa Decat de Moura
Danielle Grynszpan

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